MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

PROJETOS

Os vários projetos que tenho realizado, desde panfletos, livros, workshops, entre outros.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Cria de gibão-de-mãos-brancas

   O gibão-de-mãos-brancas, Hylobates lar, é um gibão proveniente da região do sul da China à Tailândia, ele habita preferencialmente florestas tropicais e raramente vem ao solo, deslocando-se no topo das árvores usando os seus longos e fortes braços. É um animal frugívoro, ou seja, mais de metade da sua alimentação são frutos, embora também se alimente de folhas, alguns insectos e de flores. São animais diurnos e encontram-se bastante ameaçados devido à sua caça para alimentação, à sua captura para serem animais de estimação (matam os pais e retiram as crias) e por último à destruição do habitat.
   Este pequenote nasceu recentemente e é o centro das atenções da sua progenitora. Embora por vezes tenha permissão para explorar e brincar o meio à sua volta, raramente sai de ao pé da sua mãe. Os outros familiares respeitam-no e vêem brincar com ele de tempos em tempos, deixando-o em paz quando a progenitora o exige. Nas primeiras semanas ainda mamava constantemente, embora já apresentasse vontade de se alimentar tal como a progenitora, pedindo para comer o mesmo que ela.
   A forma como a mãe transporta a cria é realmente incrível e não há confirmação de que seja assim que os gibões transportam as crias. Embora se compreenda os benefícios desta técnica, pois permite que os braços se encontrem mais livres para a sua rápida movimentação.
   Embora raramente venham ao chão no seu meio natural, num meio artificial por vezes sentem essa necessidade. Por vezes, enquanto se alimentam deixam cair a comida e acabam vir para o chão acabar de comê-la.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Lontras (Lutra lutra)

   A lontra-europeia, Lutra lutra, são animais silenciosos e difíceis de observar directamente no seu habitat natural, por isso, qualquer observação é sempre espectacular e rara. Fugindo um pouco ao que habitualmente escrevo, vou desta vez relatar o que observei e não descrever a espécie ao pormenor.
   Num final de tarde simples, sem grandes cores, sem grandes descobertas, apenas um pequeno passeio para desanuviar e descansar a cabeça dos trabalhos. Deparei-me a vaguear sem rumo, até chegar a um pequeno charco. Observei galeirões a fugir, galinhas-de-água aflitas com a minha presença, e a água a mexer-se, e a mexer-se, e a mexer-se. Não parecia nenhum animal a fugir, por isso, primeiras suspeitas era que seriam lontras. Olhei para a outra margem e lá estavam elas, um pouco longe para a objectiva, mas facilmente observáveis.
   Ao inicio pareciam-me apenas duas lontras. Mas depois de analisar melhor as imagens, é possível verificar que são 3 lontras diferentes. Foi a primeira observação naquele preciso local, e nunca antes foram observados dejectos delas na zona, o que levanta várias questões. É possível observar uma das lontras a afastar-se de outras duas que estarão à luta uma com a outra. Levantam-se várias questões, serão elas residentes a expulsar uma invasora? Ou será, esta “invasora” que está a expulsar um novo casal à procura de novo território? Se estão a expulsar, serão mesmo residentes? A última questão, será que são crias e estão apenas na brincadeira?
   Não pude ficar a observá-las, não possuía a adequada camuflagem e preferi afastar-me para não as afugentar do local. No futuro tentarei observá-las, e mais importante documentar a vida delas. Alguma ideia?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Musaranho-de-Dentes-Brancos

   Ainda me questiono se devo ou não partilhar estas fotografias de um Musaranho-de-Dentes-Brancos (Crocidura russula). O animal foi fotografado já morto, embora estivesse vivo alguns minutos antes. Encontrava-se dentro do court de ténis em Sacavém, no centro da cidade. Era odiado e mal amado, "transportador de doenças" e "deviamos de matá-lo já!", isto foi o que ouvi, embora ninguém o tenha morto depois de convencidos de que ele não fazia mal nenhum...apenas tinha fome e queria banquetear-se com uns insectos. A história deste pequenote começou numa manha bem cedo, quando fui treinar ténis. Enquanto realizávamos um jogo de treino, avistei algo a mover-se perto da rede e não hesitei em ir ver o que era. Imaginem qual foi o meu espanto quando vi este pequeno musaranho à procura de comida junto à rede.


   Claro que não consegui terminar o treino, a principal preocupação era o bem-estar do animal. O court de ténis é um local perigoso para estes pequenotes, especialmente se se encontra alguém a jogar. Podem ser pisados ou levar uma bolada, mesmo que a bola venha simplesmente junto ao chão, eles são demasiado frágeis para aguentar com a pancada. Por isso, estavamos constantemente a verificar onde ele se encontrava para não o magoar-mos. O treino acabou e pude observá-lo sem nunca o agarrar (eles são pequenos mas mordem bem!!).

   O campo encontra-se dividido em placas, e na junção existe uma pequena falha que fica cheia de restos de folhas, entre outros, e a técnica dele era percorrer todas estas falhas na esperança de apanhar algum insecto desprevenido. Existem também alguns buracos nos muros que rodeiam o court onde ele conseguia entrar (e sair do court porque estes buracos escoam a água para o exterior do campo) e passado uns segundos voltava a aparecer em marcha-atrás. Andei largos minutos deitado no chão a observá-lo, pude constatar que a sua visão não parece ser muito boa mas que possuem uma excelente audição, bastava raspar as unhas no chão e ele vinha a correr ver o que se passava. O seu focinho pontiagudo também o ajuda a capturar os insectos.

   Durante alguns dias ele era o centro das atenções, até ao dia em que decidi ir fotografá-lo. Recebi o sms a confirmar que ele estava lá no campo e que ainda estava vivo 4 dias depois do primeiro encontro e fui a correr com a máquina para o fotografar. Cheguei ao campo e não o via, até que o encontrei morto numa das falhas. Possivelmente alguma bola atingi-o e ele não resistiu. O conflito com os seres humanos é sempre o maior problema para estes animais, muitas vezes confundidos com ratos. Por isso apenas o fotografei já morto, mas nunca irei esquecê-lo e os bons momentos que nos proporcionou.