MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

PROJETOS

Os vários projetos que tenho realizado, desde panfletos, livros, workshops, entre outros.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

sábado, 17 de novembro de 2012

Artigo: Mocho-galego


EXIF  F/8  1/160  ISO-400
500mm  10m

O mocho-galego (Athene noctua) é uma pequena ave de rapina da família Strigiformes. Habita planícies e colinas não habitadas pelo ser humano, mas também áreas agro-pastoris, prados e até pequenos estabelecimentos rurais (de pequena dimensão, como herdades na zona do Alentejo). Esta espécie cosmopolita encontra-se distribuída por toda a Eurásia, no norte e este de África, na Arábia, no sul do Irão, no norte da China, entre outros.

EXIF  F/11  1/400  ISO-320
500mm  25.7m

Os mochos-galegos encontram-se ativos tanto durante o dia como durante a noite, no entanto, eles caçam sobretudo no crepúsculo e durante a noite. No verão também se alimenta durante o dia, especialmente em zonas abertas. São aves de rapina generalistas, não existindo nenhuma presa especifica em que se tenham especializado. Durante a época de reprodução, o mocho-galego alimenta-se maioritariamente de invertebrados (escaravelhos e gafanhotos), sendo o resto da sua dieta constituída por mamíferos (roedores), répteis e algumas aves (de pequeno porte). No entanto, são os mamíferos que lhes fornecem a maior quantidade de biomassa, e os invertebrados os que são consumidos em maior quantidade (cerca de 8/10) representam uma pequeníssima porção da biomassa consumida (1/10).
 

EXIF  F/8  1/250  ISO-500
500mm  7.9m Flash

O mocho-galego é uma espécie territorial, expulsando os competidores através da combinação de chamamentos, ameaças e ataques. Ao controlarem um território beneficiam do acesso exclusivo a recursos como a alimentação, parceiros e locais de nidificação. Para manter estes territórios existem variados custos individuais, como a perda de tempo, custos energéticos necessários para sinalizar, patrulhar o território e perseguir outros competidores. Mas também há um aumento dos riscos de predação e de morte, por vezes a ave pode ficar com ferimentos quando o combate é desenlace de encontros com outros competidores.
 

EXIF  F/8  1/1000 ISO-500
500mm  25.7m

Existem vários fatores de mortalidades não naturais, a principal e mais estudada, é a mortalidade por atropelamento (trafego automóvel), no entanto, a caça também constitui um importante fator de mortalidade. A captura ou remoção de crias dos ninhos é também uma prática ilegal (e em expansão). Tanto para a caça, como para a captura, os valores podem estar subestimados, isto porque é mais simples descobrir indivíduos mortos nas estradas do que descobrir estas práticas ilegais.
 

EXIF  F/8  1/250  ISO-400
500mm  10m  Flash

Uma outra causa de mortalidade é a contaminação com substâncias toxicas. Existem vários casos de mochos-galegos com elevadas concentrações de metais pesados, sugerindo a possibilidade de exposição cronica. Os metais pesados mais comuns são o chumbo, o crómio e o cadmio. Estes metais pesados de uso industrial e baixa reatividade química são responsáveis pela maioria das contaminações ambientais e são também responsáveis por fenómenos de bioampliação porque podem ser facilmente transmitidos pelo ar, agua ou alimentos, e facilmente sobem na cadeia alimentar. Nos predadores não migradores é facilmente observado o processo de bioampliação pois possuem elevados valores dos contaminantes (metais pesados).

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Missão: Golfinho-comum


EXIF  f/8  1/2000  ISO-500
403mm  25.7

 
Realizar uma saida de barco para observar e fotografar aves, mas surgirem golfinhos não é novidade. Os animais adoram pregar-nos destas partidas, isto sem contar, que o equipamento para fotografar aves é completamente diferente do utilizado para fotografar cetáceos. Uma ave poisada à superfície da água e relativamente perto do barco ocupa apenas uns 40 centímetros, já um golfinho a nadar juntamente com o barco ocupa entre 2 a 4 metros, usando o equipamento para fotografar aves e apenas fotografo o olho do golfinho, isto se o conseguir encontrar. Por isso, imaginem a frustação de estar equipado para fotografar aves e surgirem golfinhos ou baleias.

EXIF  f/8  1/1000  ISO-500
150mm  11.3m

O maior problema que os cetaceos trazem aos fotografos é a sua vontade de dar "show". Enquanto se deslocam para alimentar raramente dão saltos fora de água, colocam apenas o espiráculo para respirar e pronto. A maioria das fotografias que se obtêm é apenas uma cabeça enorme e uma barbatana dorsal, o olho fica normalmente debaixo de água ou com uma camada enorme de água. As melhores fotografias são tiradas quando eles andam na brincadeira e dão saltos constantemente, mas para isso são precisas muitas horas no "mar" ou muita sorte (como eu não tenho nem uma nem outra). O golfinho-comum, Delphinus delphis, é uma das espécies de cetáceos que prefere não colocar o olho de fora.

EXIF  f/8  1/1250  ISO-500
135mm  7.7m


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Missão: Fotografia de Animais Pelágicos


Cagarra (Calonectris diomedea)
EXIF f/8  1/2000  ISO-500
150mm  6.5m

As aves pelágicas vivem a maior parte da sua vida nos oceanos e apenas se deslocam a terra durante a nidificação e devido às variadas ameaças a que elas se encontram sujeitas, é impensável tentar fotografá-las nos ninhos, para além de que só se deslocam às colónias durante a noite. Durante o dia elas vagueiam pelos oceanos à procura de alimento e para as fotografar implica umas viagens de barco.

Golfinho-comum (Delphinus delphis)
EXIF f/7.1  1/800  ISO-500
150mm  5.4m

Existem vários problemas associados a fotografar dentro do barco. O primeiro, e o mais óbvio de todos, é o enjoo. É muito fácil enjoar dentro do barco, ele balança para todos os lados e nós temos de contrabalançar ao mesmo tempo que espreitamos pela ótica da máquina só com um olho, tudo isto confunde o nosso cérebro que não percebe bem onde está. O segundo problema é o balanço do barco, quando damos por nós estamos a fotografar apenas água e de repente lá voltamos a ver o animal que estávamos a fotografar. O terceiro e último problema é a luz, quando estamos em pleno oceano os animais podem surgir de qualquer lado, temos uma fantástica visão de 360º, mas isso dificulta a realização de boas fotografias pois nem sempre os animais surgem de onde devem.

Cagarra (Calonectris diomedea)
EXIF f/8  1/1600  ISO-500
150mm  20.8m

Existem vários tipos de embarcações, as melhores são precisamente as embarcações de pesca (conhecidas por traineiras) pois é possível ter mais estabilidade e os movimentos dentro da embarcação não estão tão limitados. Algumas saídas poderão ser realizadas em embarcações insufláveis que não oferecem tanta estabilização e há um maior risco de salpicos. A troca de objetivas em pleno oceano pode ser arriscado, pois a água do mar corrói os componentes elétricos e por isso é necessário assegurar-nos que levamos as objetivas certas e minimizamos as trocas das mesmas durante a viagem. Para quem gosta de fotografar e de desafios, sugiro que façam uma destas viagens. Para quem gosta de observar aves é uma viagem inesquecível (que vai depender também da altura do ano a que se realiza).

domingo, 21 de outubro de 2012

Artigo: Guarda-rios


EXIF F/8  1/1250  ISO-500
340mm  2.6m

O guarda-rios ou martim-pescador, de nome científico Alcedo atthis, é uma belíssima ave por vezes denominada de clarão azul. Com rápidos batimentos de asas, ele sobrevoa a água de rios rapidamente, a sua coloração azul-esverdeada, na coroa, dorso e asas, e um maravilhoso azul-cobalto, no uropígio e cauda, dão a sensação de que um clarão azul passou por nós.


EXIF F/8 1/1000 ISO-500
340mm  3m

É o único guarda-rios europeu e habita quase toda a Europa, existindo 7 subespécies conhecidas. Possui apenas 16 centímetros de comprimento pesando umas meras 35 gramas. Em Portugal estima-se que existam entre 2.000 a 10.000 pares reprodutores, no entanto, esta espécie é observada a "guardar" quase todos os rios portugueses. É uma ave pequena e com inconfundíveis plumagens de cores vivas mas muito veloz e ativo.

EXIF F/8 1/1000 ISO-500
340mm 2.8m

 
Alimenta-se de pequenos peixes, de invertebrados aquáticos (como as ninfas de libélulas e ocasionalmente os adultos de libélulas), de anfíbios e de crustáceos, embora a maioria do seu alimento sejam pequenos peixes. Para os capturar, mergulha utilizando o seu longo e afiado bico, partindo de um poleiro sobranceiro à água, ou mais raramente, a partir do ar (pairando sobre a água). Consegue mergulhar atrás dos peixes, mas não ultrapassa os 25 centímetros de profundidade, devido à sua flutuabilidade natural e fortes batimentos das asas ele consegue emergir rapidamente da água. É fundamental que os pequenos peixes se desloquem à superfície da água para o guarda-rios os conseguir capturar. Depois de serem capturados, o guarda-rios leva as suas presas para o seu poiso e bate-as repetidamente contra um ramo, antes de as engolir. As partes não digeridas são regurgitadas em forma de esferas.

EXIF F/8 1/1000 ISO-500
500mm  4.9m

 
Cada casal reprodutor ocupa um território de 1 quilómetro ao longo das margens de um rio. Possuem rituais de acasalamento elaborados e que incluem espetaculares voos acrobáticos e a oferta mútua de peixes imediatamente antes da cópula. Os laços entre o casal mantêm-se ao longo da época de reprodução, e ambos os progenitores incubam os ovos e cuidam dos pintos durante 4 semanas, até estes estarem prontos a abandonarem o ninho.

EXIF F/8 1/1000 ISO-500
500mm 2.8m

 
Curiosidade: Nas latitudes mais elevadas, onde os rios congelam durante quase todo o Inverno, o guarda-rios é obrigado a migrar para regiões mais quentes, em Portugal ele é residente (não migra).

EXIF F/8 1/1250 ISO-500
340mm 2.8m


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Missão: Guarda-rios II


 
Há muito tempo que observo este guarda-rios, Alcedo athis, que pesca numa pequena charca, perto de Évora. O ano passado coloquei um tronco para servir de poiso de pesca, e consegui fotografá-lo com um peixe acabado de pescar. Mas há cerca de um mês as ovelhas que pastam naquele terreno deitaram o tronco abaixo, que acabou por se partir e por isso ficou muito mais pequeno. Era agora difícil fotografá-lo ou observá-lo. Este pescador possui cerca de 8 poisos diferentes que consigo observar desde o abrigo, mas nenhum deles é visível das margens. Para o ajudar na dificil tarefa de pescar, achei que deveria colocar mais uns troncos para ele utilizar. Depois de muito procurar, finalmente encontrei um tronco grande o suficiente para ele poisar, aliás grande demais. Para além desse coloquei mais 2 troncos adicionais, para ele poder escolher qual prefere.
No dia seguinte fui para o abrigo procurar algum animal mais raro que por vezes para nas redondezas. Mas sem sorte achei que era altura para voltar para casa, quando este pequenote apareceu para testar os novos poisos. Experimentou-os a todos, e foi saltitando no tronco grande. Saia e regressava uns minutos mais tarde. Espero que agora se habitue e começa a pescar desde alí para poder observá-lo e apreciá-lo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Missão: Noitibó-de-nuca-vermelha


EXIF  F/8  1/250s  ISO-200
Flash  500mm  3.8m
Herdade Évora

Quem me conhece sabe que detesto perseguir espécies para a minha coleção de fotografias, há espécies que desejo fotografar simplesmente. Sejam elas bonitas, feias ou nojentas. O interesse é o mesmo, e existem sempre algumas ideias que tenho em mente quando finalmente consigo encontrar a dita espécie, quer seja por pura sorte, ou por me ter deslocado a um local onde poderia encontra-la. Gosto de combinar os estudos em biologia, variados artigos científicos e a experiência para determinar vários aspetos e preferências das espécies, de forma a facilitar o processo de a fotografar, manusear (por vezes, mas sabendo o que faço e sem incomodar muito os indivíduos) e eventualmente estudar determinados comportamentos que não veem descritos nos artigos científicos ou livros técnicos da especialidade.

EXIF F/9  1/250s ISO-200
Flash  340mm  4.5m
Herdade Évora

No caso desta espécie, o noitibó-de-nuca-vermelha, Caprimulgus ruficollis, foi totalmente sorte. Já tinha estudado a espécie e sabia que eles gostam de zonas abertas de areia com algumas árvores ou arbustos onde podem capturar insetos em pleno voo, usando a sua grande boca. Já procuro há alguns anos, mas nunca tinha tido a sorte de encontrar um. Um dia, quando a minha mãe chegou a casa disse ter visto uma ave grande e que apenas levantou voo quando o carro estava mesmo em cima dela. Fiquei espantado, os terrenos há volta possuem gado e não arvores e arbustos, pensei que fosse uma ave perdida. Noutro dia, a minha mãe voltou a deparar-se com esta ave e eu nunca tinha a sorte de a observar.

EXIF F/9  1/250s ISO-200
Flash 500mm  5.4m
Herdade Évora

Num dia já de noite, quando estava a caminho de Lisboa lembrei-me de passar por pancas à procura de corujas-do-mato, sendo uma espécie que gostei de fotografar e gostaria de voltar a fotografar, no entanto, a única espécie que fotografei foi precisamente o noitibó-de-nuca-vermelha. Com um pouco de sorte à mistura, foi possível observar e fotografar três indivíduos diferentes. Todos eles permitiram-nos aproximar bastante antes de levantarem voo e voltarem a pousar um pouco mais à frente, e só depois de mais umas fotografias é que fugiram.

EXIF F/8 1/250s ISO-200
Flash 500mm  5.9m
Pancas, RNET

Quando finalmente tinha bastantes fotografias de noitibós-de-nuca-vermelha heis que me voltam a surpreender ao finalmente encontrar um individuo no caminho de terra batida de casa. Mais uma vez ele permitiu-me aproximar bastante e tirar imensas fotografias, no entanto, no dia seguinte já não andava por lá.

sábado, 15 de setembro de 2012

Missão: Morcegos I



EXIF   F/10  1/250s  ISO-200
Flash  500mm  2.2m
Juvenis agarrados às progenitoras.


A procura de morcegos em edifícios abandonados ajuda a identificar abrigos de verão ou de hibernação anteriormente desconhecidos. Estes abrigos ajudam a clarificar quais os habitats e abrigos usados pelos morcegos de determinada região. Isto porque para além do uso de grutas naturais e de minas abandonadas, algumas espécies utilizam também vários edifícios abandonados. As fotografias foram feitas durante os censos para o Atlas dos Morcegos dePortugal, as localizações dos abrigos não podem ser reveladas para evitar a perturbação excessiva dos morcegos, especialmente durante os períodos de maternidade e hibernação, ou a eventual destruição dos mesmos.

EXIF F/11  1/250s ISO-200
Flash 500mm 2.4m
Juvenil agarrados às asas da progenitora.


O morcego-de-ferradura-pequeno, Rhinolophus hipposideros, é um dos morcegos mais pequeno do mundo pesando entre 5 a 9 gramas. É facilmente distinguido de outras espécies devido à boca e nariz em forma de ferradura de cavalo. Possui uma envergadura de asas entre 19,2 cm e os 25,4 cm e o comprimento do corpo entre os 3,5 cm e os 4,5 cm. As patas são fortes e usa-as para se agarrar a rochas ou tronco. Consegue ver muito bem apesar de possuir uns olhos pequenos. Como a maioria dos morcegos, vivem em colonias e caçam as suas presas usando a ecolocalização, emitindo ultrassons através de almofadas redondas especializadas na região da boca.

EXIF F/10 1/250s ISO-200
Flash 500mm 2.2m
Juvenis agarrados às progenitoras.


Quando caçam são rápidos e ágeis, voando usualmente a 5 metros do solo enquanto evitam os ramos e os arbustos. Alimentam-se principalmente de pequenos insetos, sendo a maioria colhidos de pedras e troncos. De entre os seus alimentos, os favoritos são as moscas, traças e aranhas.

EXIF F/9  1/250s ISO-200
Flash 500mm 2.2m
Juvenil à esquerda e adulto à direita. Possivel verificar diferença na coloração.


O acasalamento ocorre no Outono e as fêmeas dão à luz uma cria por ano, normalmente entre Junho e Julho. As crias pesam cerca de 1,8 gramas e abrem os olhos 10 dias depois de nasceram, tornando-se independentes às 6-7 semanas de idade. Hibernam durante o inverno em grutas escuras, minas, edifícios abandonados e por vezes em celeiros.

EXIF F/14  1/250s ISO-200
Flash  100mm  1.2m
Juvenil.


Neste abrigo foi possível encontrar cerca de 9 morcegos-de-ferradura-pequeno, entre estes estavam 3 juvenis já com capacidade para voar. É possível distinguir os juvenis dos adultos pois estes apresentam uma coloração acinzentada e os adultos já possuem a coloração acastanhada.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Missão: Coruja-das-torres I



Tudo apontava para um grande dia a fotografar. De manha fui bem cedo para Pancas antes do início das acções de voluntariado para a SPEA no âmbito do projeto "Linhas Elétricas" e consegui fotografar uma águia-calçada demasiado perto de mim. Passei o dia a caminhar debaixo de linhas elétricas à procura de aves mortas por colisão ou por eletrocussão, debaixo do calor e a ver libélulas e insetos esquisitos por todo o lado. Tivemos a companhia de um simpático e amigável cão que protagonizou uma autêntica cena de um filme ao tentar "saltar" uma vala de um lado ao outro, mas esquecendo-se que já estava demasiado pesado, foi ver uma enorme bola de pelo a saltar, a ficar parado no ar por uns segundos e a desaparecer dentro da vala (de meio metro), surgindo uns segundos mais tarde todo contente a correr na nossa direção. Depois decidiu dar um mergulho e enquanto nadava aproveitava para beber água, claro que quando saia molhava tudo e todos, depois como quem não percebia o que fazia vinha roçar-se nas nossas pernas para se secar mais depressa. Fomos perseguidos por gado bravo (vacas e cavalos com crias) que olhavam para nós e julgavam que tínhamos comida para eles.

 
No final de tudo isto finalmente tive tempo para ir fotografar as corujas-das-torres (Tyto alba) à ponta da erva, como as atividades acabaram cedo tive de ficar algum tempo à espera (4 HORAS!!), mas como aquela região é bastante rica biodiversidade deu para estar entretido a fotografar as águias-sapeiras, os flamingos, e a tentar fotografar os peneireiros-cinzentos que nem se deixavam aproximar. Findo tudo isto, concentrei-me nas corujas-das-torres. Primeiro que tudo verificar o material, pinhas cheias e novas, baterias carregadas, modo manual selecionado e preparado para a fotografia noturna, foco bom e potente a funcionar (julgava eu), foco pequeno e a bateria não oferece luz suficiente e a lanterna de mão para casos de emergência em posição. Algum tempo de espera e chegava finalmente a noite, liguei o foco ao isqueiro do carro e comecei a percorrer os postes à procura de corujas. Encontrei o que julgava ser uma coruja, liguei o foco e booooommmm!! Faíscas a sair do isqueiro e rádio pifou... Desliguei e voltei a ligar e nada. Rádio nada. Começou bem, pensava eu. O que julgava ser a coruja era afinal um peneireiro-cinzento que rapidamente fugiu com aquele aparato todo. Restava-me apenas os faróis do carro, que por azar não conseguem iluminar os postes, ficando a iluminar o chão, mas tinha de ser suficiente. Percorri a estrada e nem um sinal de corujas, nada de nada, ao longe vi que se aproximava um carro e que vinham com um foco, uns segundos depois e vejo um flash, também estavam às corujas. Parei o carro e esperei que parassem de fotografar como qualquer bom fotógrafo faz, para evitar incomodar os animais ou levar a que os mesmos fujam. Quando finalmente passaram por mim levavam os máximos ainda ligados e para chatear apontaram o foco na minha direção (só pensava "obrigadinho" pelos meus olhos...). Segui na direçao oposta para tentar a minha sorte, mas nada.

 
Só meia hora mais tarde encontrei a primeira coruja, apontei o carro na sua direção e puff... Máquina não a queria focar, bolas, só pensava "mais vale ir já para casa..." mas já lá estava há mais de quatro horas, não ia desistir agora. Depois disso, encontrei mais de 20 corujas e consegui fotografar mais de metade, mesmo com o flash a demorar quase meia hora a recarregar (julgamos nós, quando mais precisamos cada segundo parece uma eternidade). Não apanhei nenhuma coruja com um ratinho no bico, mas fui-me concentrando noutro tipo de fotografia, corujas em pleno voo. Como estava lua cheia conseguia vê-las a pairar no ar, só tinha de conseguir focar na escuridão e disparar...Nada feito, tudo desfocado, restava quando as apanhava paradas e saiam a voar, o problema é que sem foco ao levantarem voo saiam do raio de acão dos faróis do carro e as fotografias ficaram todas desfocadas ou sem corujas.
 
Um dos objetivos foi cumprido, restando outras fotografias que gostava de realizar. Resta agora arranjar o foco e tentar mais uma vez.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Salvamento de um pequenino ouriço-cacheiro

Avisaram-me que estava um pequenote de ouriço-cacheiro, Erinaceus europaeus, preso na entrada da herdade nas juntas utilizadas para o gado não sair (aquelas dos cilindros).

EXIF 1/200s, f/8, ISO-200
100mm, 77cm


Quando lá cheguei ele estava a um canto e mal se mexia, estava gelado e com fome. Demorei mais de 30 minutos para o resgatar, o buraco era demasiado fundo para chegar lá com o braço, precisava de arranjar um tronco grande o suficiente para lá chegar e que fizesse uma conchinha com os ramos para ele ficar preso. Ao tocar-lhe pela primeira vez fechou-se como uma bolinha de espinhos, facilitando a sua movimentação, bastava rolá-lo até aos locais. Inicialmente rolei-o para uma zona mais elevada devido à acumulação de terra, mas mesmo assim não o conseguia apanhar. Foi necessário encostá-lo à parede e lentamente ir fazendo-o subir até o conseguir apanhar, foi demoroso mas finalmente apanhei-o. Precisava de voltar para casa com ele em segurança, tinha ido de bicicleta e nas mãos era impossível transportá-lo, por isso decidi colocá-lo na bolsinha que a bicicleta possui. Assim sabia que era impossível que ele caisse e eu me espetar.


EXIF 1/250, f/9, ISO-200
100mm, 51cm

Ao chegar a casa tive de arranjar uma caixa para o colocar, alta o suficiente para ele não fugir e grande para se poder mexer. Coloquei bastantes panos para o manter quente e fiz uma pequena casinha de panos onde se podia abrigar e foi precisamente para onde ele se dirigiu. Mas não era suficiente para se aquecer. Coloquei-o entre o pano e no meu colo para o aquecer mais depressa, até que ficou cheio de calor e começou a abrir-se lentamente. Dava para ver as patinhas e o focinho, e finalmente alguns pêlos e não espinhos. Fiz-lhe algumas festas para se acalmar e ele foi regressando ao seu estado normal enquanto permanecia a dormir. De repente, notei que ele tinha umas pulgas. Fui buscar uma taça cheia de água e comecei a apanhar pulgas, foi aí que percebi a confiança que ele me dava, conseguia tirar até as pulgas que andavam perto dos olhos e do nariz sem que ele se queixasse, escondesse ou mordesse. Tirei 14 pulgas ao todo. Quando despertou voltei a colocá-lo na caixa à qual tinha adicionado vários alimentos, desde frutas, cereais, leite, e feito uma papa com todos estes ingredientes. Enquanto procurava mais alimentos para ele reparei num pacote de batatas fritas com sabor a presunto, pensei para mim mesmo, não custa tentar. Esfarelei um bocado de batatas fritas e ele foi direito a elas comendo-as todas, meti mais batatas até ele se fartar e voltar a adormecer.

EXIF 1/500, f/8, ISO-200
100mm, 75cm

Ao final do dia era altura de o libertar, já estava quentinho e tinha feito uma boa refeição.

sábado, 18 de agosto de 2012

Mocho-galego


EXIF

1/160s, f/8, ISO-400
500mm, 10m

Sempre que saio do abrigo da charca faço o mesmo caminho pela árvore e conjunto de pedras onde a família do mocho-galego, Athene noctua, se reúne todos os dias. Mas apenas os vejo a fugirem à minha frente, neste dia estavam a saltitar debaixo da árvore. Coloquei-me atrás de um fardo de palha e esperei, sem qualquer camuflagem, e eles apareciam para espreitar e voltavam a desaparecer. Mantendo-se sempre por perto e a brincar.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Missão: Guarda-rios

EXIF (das 3)

1/1000s, f/8, ISO-320
500mm, 4.9m

5 da manhã, o despertador toca freneticamente num local onde o silêncio e a tranquilidade é a ordem. Ainda o Sol estava completamente escondido e já eu saia para mais uma aventura. Dirigi-me para o abrigo na charca, ainda estava de noite, mas como conheço os caminhos e trilhos sigo no encalçe e na escuridão da noite até ao abrigo, fazendo o minimo de barulho. O sol tinha acabado de nascer e já este pequenote estava a mergulhar perto do abrigo. O guarda-rios, Alcedo athis, pesca a alta velocidade e utiliza vários poisos diferentes, foi então que surgiu no tronco que se encontra perto do abrigo mas a luz era nula, o sol estava ainda no horizonte e não tinha força suficiente. Pensava que nunca iria conseguir fotografá-lo neste local.





Por sorte ele voltou a aparecer quando a luz estava perfeita e permitiu-me tirar-lhe várias fotografias. Depois fez algo ainda mais inacreditável, conseguiu pescar um peixe e voltou para o poleiro. A água está verde, e o local da captura não foi diretamente abaixo dele mas cerca de 4 metros mais à frente, nunca tinha presenciado esta magnifica habilidade (de capturar o peixe longe do poiso e não diretamente abaixo).

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Missão: Abelharuco-comum


Abelharuco-comum (Merops apiaster) juvenil.



EXIF

1/1000s, f/8, ISO-400
500mm, 7.9m


Depois de uma madrugada sem sucesso a tentar fotografar o guarda-rios dentro do abrigo da charca, ao sair tive a oportunidade de fotografar o mocho-galego até chegarem os abelharucos. Era uma fotografia que ambicionava, um abelharuco parado num tronco e não nos "maravilhosos" cabos eléctricos onde eles normalmente poisam. O mais interessante foi fotografar juvenis misturados com adultos, na fotografia de cima pode-se ver um juvenil ainda apresenta a face superior esverdeada. Na fotografia de baixo é possivel observar um adulto com a garganta amarela, um lindo tom azulado no peito e um alaranjado na face superior.


Abelharuco-comum (Merops apiaster) adulto.

EXIF

1/500s, f/8, ISO-200
500mm, 5.4m

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Missão: Rolieiros

muito que ambicionava fotografar um rolieiro (Coracias garrulus), consegui fotografar um individuo na Barroca d'Alva mas a uma distância muito grande.
EXIF
1/800s, f/8, ISO-400
500mm, 7.2m

Já passava das cinco da tarde quando finalmente chegámos ao local onde iria encontrar alguns indivíduos de rolieiros, mas não sabia bem onde estavam nem como os iria fotografar. E era necessário definir uma estratégia para o dia seguinte.
EXIF
1/1250s, f/8, ISO-400
300mm, 9.1m


No dia seguinte e com a estratégia finalmente em ordem, foi chegar e fotografar, rapidamente se adaptaram à presença do carro e do camuflado, era apenas mais um arbusto que surgiu ali de repente, e começaram a realizar as suas rotinas diárias. É fácil compreender quando deixamos de ser uma ameaça porque eles entram no ninho com comida, uma ave quando se sente em perigo ou ameaçada tem tendência a afastar a ameaça para longe do ninho. Quando começou a concentrar-se apenas na alimentação das crias fiquei contente por tal acontecer, pude observar vários comportamentos dos progenitores a alimentarem as crias, mas isso significava que não iam posar para as fotografias.
EXIF
1/640s, f/8, ISO-400
500mm, 10m


De 5 em 5 minutos um dos progenitores chegava com comida no bico, passava rente ao capô do carro e entrava no ninho colocado numa habitação abandonada. Tinha pouco tempo para os fotografar, pois largavam a comida e saiam disparados para ir buscar ainda mais comida, a velocidade era infernal. Só quando paravam no topo do edifício é que os conseguia fotografar e começam a ser poucas as vezes que tal acontecia. Mas o prazer de ver o frenesim que era a alimentação era extraordinário e ter a oportunidade de testemunhar isso vale muito bem acordar às 5h da manhã.

sábado, 9 de junho de 2012

Abelharuco-comum

Merops apiaster (Linnaeus, 1758)


    Há muito que ambicionava fotografar abelharucos, muitas tentativas frustradas e muito pouco sucesso. Aos poucos e poucos lá vou conseguindo fotografias 1 centímetro mais perto e mais perto, mas nenhuma fotografia sai como eu gostaria. Horas "perdidas" no campo à procura deles carregado com a máquina, o abrigo e o tripé, muita coragem e vontade, mas muito pouca sorte. Ultimamente as aves não querem nada comigo. Se vou de carro fogem quando ainda estou a 30 metros delas, com o abrigo gozam comigo e ficam atrás do abrigo e não à frente (entre mim e o sol), chamamentos também não resultam e colocar comida também não tem levado a nada (aparecem quando eu não estou). A minha sorte com as aves este ano é zero, algo a que já me habituei e nem fico chateado, limito-me a dizer: "são sempre a mesma coisa" e sigo caminho.




    Os abelharucos fogem-me há alguns anos, mas aqui para os lados do Alentejo parece ser mais fácil observá-los, mas e fotografá-los? Nada disso, isto é enorme!!! É difícil descobrir onde vão estar amanha e ninhos? Nem vê-los. A maioria das propriedades é privada, maioria? Disparate! São todas!!! Isto torna difícil saber onde podemos caminhar para observar aves. As estradas de acesso encontram-se com portões e fechadas, embora muitas delas sejam de serventia e de acesso livre supostamente. Na herdade da Mitra posso andar à vontade, mas os abelharucos estão precisamente na herdade ao lado. Pedir autorização é sempre necessário, mas a quem? Como descubro o proprietário? Só invadindo a propriedade e rezar não levar nenhum tiro, depois explico a situação e sou corrido a pontapé!!! Poucos são os que permitem tal coisa, um maluco a observar passarinhos? Ainda por cima cheio de camuflagens? Fora do meu terreno, ele anda aqui é a espiar e a roubar!!





    Mas finalmente consegui umas fotografias perto dos abelharucos, enquanto ia na estrada apanhei um bando parado nos fios, não é a situação ideal, mas com o azar que tenho tido ultimamente confesso que já fiquei contente.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Musaranho-de-dentes-brancos

O musaranho-de-dentes-brancos, Crocidura russula, é um avido caçador e incansável, pois tem de ingerir diariamente uma quantidade de alimento equivalente ao seu peso. Atinge os 9 cm de comprimento e a cauda chega a ter 5 cm. As orelhas são grandes e visíveis, e apresenta os dentes brancos, como o nome comum indica. Encontram-se habitualmente em terrenos secos e soalheiros, tal como em pradarias, jardins e parques.

São animais solitários e escavam as suas galerias ou aproveitam as de outros roedores ou as das toupeiras. Alimentam-se de insetos, aranhas, centopeias, minhocas, caracóis e por vezes carne putrefacta.

Os exemplares aqui fotografados foram “recolhidos” durante a saída de campo de Técnicas de Amostragem de Fauna do Mestrado em Biologia da Conservação, onde foram demonstradas técnicas de captura de micromamíferos, foram recolhidos vários dados anatómicos dos exemplares capturas e depois foram libertados no local onde foram capturados. Para muitas pessoas estas situações são “cruéis” no entanto, são necessárias para se determinar diversos aspetos dos locais e das próprias populações de micromamíferos existentes. O manuseamento é então fundamental, pois observações diretas são difíceis de conseguir e demorariam imenso tempo a concretizar.