MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

PROJETOS

Os vários projetos que tenho realizado, desde panfletos, livros, workshops, entre outros.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

sábado, 30 de outubro de 2010

Lagartixa-da-Berlenga, endémica das Berlengas

Lagartixa-da-Berlenga
Podarcis carbonelli berlengensis

Pequeno réptil endémico da ilha da Berlenga, embora possua um parente no continente. Contudo este parente é diferente da que pode ser encontrada na ilha.

Possui uma coloração castanha com um fino reticulado escuro no dorso e as linhas dorsolaterais são descontinuas, nos machos apresentam tonalidades verdes enquanto que nas fêmeas são verdes e amarelas. Os flancos são verdes com ocelos azuis nos machos e castanhos nas fêmeas. A zona do ventre nas fêmeas apresenta uma coloração creme, branco sujo ou amarela e nos machos essa coloração é branca com pintas pretas nos individuos de maiores dimensões.

A sua densidade é elevada e possui uma distribuição ampla. Em comparação com os seus parentes continentais ela apresenta um tamanho maior, o facto de se encontrar numa ilha e de ter que suportar temperaturas baixas e ventos fortes ela desenvolveu duas características relacionadas com uma maior capacidade de retenção de água e de calor, isto é, desenvolveu escamas dorsais maiores e um focinho mais arredondado.

A alimentação consiste em artrópodes e moluscos, os quais tem de competir com outros habitantes da ilha, como o sardão e as diversas aves que lá habitam.

Local onde se pode observar
- Ilha da Berlenga

Dados das fotografias:
- 1ª foto: F/13 1/160 ISO-200 300mm+tubos Kenko (36+24+12)
- 2ª foto: F/13 1/200 ISO-200 300mm+tubos Kenko (36+24+12)

Bibliografia
- Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Almeida, F.F. (2001) Guia FAPAS Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS. Porto. 249pp

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Ganso-Patola, o Mergulhador Brilhante

Ganso-Patola ou Alcatraz
Northern Gannet
Morus bassanus

Ordem: Ciconiiformes
Família: Sulidae

Os juvenis possuem uma coloração castanha pintalgada durante o primeiro ano, e vão ficando gradualmente mais claros até atingirem a maturidade ao fim de cinco anos. Os adultos medem entre 87-100 cm de comprimento e tem uma envergadura entre 165-180 cm. Possuem uma plumagem branca com a ponta das asas negras, o seu bico e os seus olhos são de coloração azul-clara, e os olhos encontram-se circundados por pele negra. Possuem os quatro dedos unidos por uma membrana interdigital. Durante a época de reprodução, tanto a cabeça como o pescoço ficam com tons amarelados.

Nidificam em penhascos sobre o oceano Atlântico Norte ou em ilhas rochosas, formando grandes colónias, a maior delas possui mais de 60.000 indivíduos (ilha Bonaventure, em Quebec), mais de metade da população mundial reproduz-se ao largo da costa da Grã-Bretanha. Os casais podem permanecer juntos por muitos anos, e realizam rituais de saudação nos ninhos.

São aves migratórias e durante o Outono viajam para o sul do Atlântico, podendo ser observados em Portugal. Voam em formação linear de dois a algumas dezenas de indivíduos. É abundante ao longo de toda a costa portuguesa, sendo facilmente detectado a partir de terra. As melhores épocas de observação são os picos de passagem migratória em Outubro e Março, mas ocorre durante todo o ano. É uma das aves marinhas mais comuns e também uma das que se pode observar em todo o litoral português.

Comem pequenos peixes agrupados em cardumes à superfície e para isso realizam mergulhos espectaculares a alta velocidade, podendo atingir os 40 metros de profundidade, entrando na água como um míssil e com grande impacto. São voadores poderosos e ágeis, mas muito desajeitados durante as descolagens e aterragens.

Locais onde se podem observar
- Douro e Minho: frente à foz do Cávado e litoral de Esposende e frente ao estuário do Douro.
- Litoral Centro: cabo Carvoeiro, Berlengas, praia do Furadouro, cabo Mondego e Barra de Aveiro.
- Lisboa e Vale do Tejo: cabo Raso e cabo Espichel.
- Costa Vicentina: cabo Sardão e cabo de Sines.
- Algarve: cabo de São Vicente, ponta da Piedade, cabo de Santa Maria (ria Formosa) e ponta da Atalaia-Aljezur.

Dados das fotografias:
- 1ª foto: juvenil   F/6.3   1/500   ISO-200   190mm
- 2ª foto: primeiro inverno   F/9   1/800   ISO-200   225mm
- 3ª foto: segundo inverno   F/8   1/800   ISO-200   210mm

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Barragem do Vale Cobrão

A barragem do vale Cobrão situa-se na recta da Nacional 119 a 11km do IC3, sendo de fácil acesso, embora as margens da barragem se encontrem vedadas e de acesso cortado. No dia da minha visita havia pouca água e a que havia encontrava-se num estado lastimável, mas por minha sorte existiam bastantes insectos interessantes para fotografar.



O primeiro avistamento foi de uma libélula que se encontrava a voar no caminho que percorríamos, era uma fêmea de Sympetrum fonscolombii (Red-veined darter), esta libélula é comum no sul da Europa e desde 1990 que tem sido também encontrada a norte da Europa. É semelhante a outras espécies do género Sympetrum mas uma observação mais detalhada permite observar várias diferenças, especialmente nos machos. Os machos (foto de baixo) possuem o abdómen vermelho, as asas possuem nervuras vermelhas, a parte inferior do olho é azulada/acinzentada. As fêmeas (foto em cima) são semelhantes aos machos mas possuem o abdómen amarelado e as asas possuem nervuras amarelas. As patas em ambos os sexos são maioritariamente pretas, mas com algum amarelo.
Os machos imaturos são idênticos às fêmeas embora um pouco mais vermelhos. É a única libélula encontrada nos Açores e na Madeira. É uma espécie territorial e é possível observá-la a voar entre Maio e Outubro. Depois da cópula o par permanece ligado até à postura dos ovos onde a fêmea coloca o seu abdómen na água para a deposição dos ovos, podem ser observados a voar sobre a água à procura de um local para depositar os ovos. Os ovos e as larvas desenvolvem-se rapidamente e ao contrário das outras libélulas europeias tem mais do que uma geração por ano.

Num dos charcos com água temporária avistei demasiados lagostins vermelhos (Procambarus clarkii), esta espécie é proveniente do estado do Louisiana nos Estados Unidos da América. É uma espécie invasora em Portugal e foi introduzido em 1973 na zona de Badajoz para abastecimento da linha alimentar, passaram para um afluente do Guadiana em 1979 e devido ao seu enorme poder de reprodução e de sobrevivência, espalharam-se rapidamente por toda a Península Ibérica. Este crustáceo de água doce, dependendo de onde habita, do estágio de crescimento em que se encontra, da alimentação, entre outros, é capaz de mudar de coloração. Pode viver até aos dois anos e chegar a medir cerca de 15cm. São geralmente calmos e encontram-se quase sempre escondidos. Tal como todos os artrópodes sofrem várias mudas de carapaça enquanto crescem. As lontras e outras aves alimentam-se desta espécie, tornando-se numa fonte de alimento importante para as lontras. Neste local pude observar varias pegadas e vários dejectos de lontra, assim como pedaços de lagostim que elas não gostam.