MINI-ARTIGOS SOBRE AS ESPÉCIES

Nesta secção encontram-se mini-artigos sobre as espécies, de forma sucinta e clara, ficamos a conhecer um pouco mais sobre a nossa fauna. Ilustrados com as melhores fotografias da espécie.

AS MINHAS MISSÕES

Ao contrário dos artigos, nas missão explico como consegui fotografar as espécies (ou observar). O que sofri e as peripécias para as conseguir fotografar tranquilamente e sem as perturbar.

TRUQUES E DICAS

Nesta secção poderá encontrar alguns truques e dicas sobre fotografia de vida selvagem e de natureza, desde as técnicas utilizadas na máquina como algumas das técnicas utilizadas no terreno.

ABRIGOS

Para além dos vários truques, existem também alguns abrigos já montados que podemos frequentar em Portugal e outros tantos em Espanha. Serão apenas colocados abrigos que tenha frequentado.

PROJETOS

Os vários projetos que tenho realizado, desde panfletos, livros, workshops, entre outros.

UM MÊS...UMA AVE

A Fundação Calouste Gulbenkian com o apoio científico da Fundação Luis de Molina e da Universidade de Évora apresenta nos jardins da fundação em Lisboa o projeto "UM MÊS...UMA AVE". Todos os meses foi apresentada uma espécie presente nos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. A lista de espécies do primeiro ano está terminada.

Canal Youtube onWILD

Novo canal no youtube destinado apenas a filmagens de vida selvagem. Subscrevam.

Definições Canon 7D Mark II

As definições que utilizo na minha máquina para a fotografia de aves.

sábado, 20 de novembro de 2010

A Magnifica Borboleta Almirante Vermelho

Almirante Vermelho
Red Admiral
Vanessa atalanta

É uma espécie com uma grande distribuição, pode ser observada na Europa, no Norte de África, na Ásia e na América do Norte. Pertence à família Nymphalidae, e em Portugal é uma espécie frequente por todo o país. Os indivíduos adultos preferem zonas abertas com flores, como charcos, bosques, prados, jardins e florestas pouco densas. Nos meses mais frios os individuos desta espécie migram para paragens com um ambiente mais favorável à sua sobrevivência, chegando a percorrer cerca de 3000 km.


É facilmente identificável pela sua coloração. Possui uma coloração marron, vermelho e preto nas asas, mais especificamente, as asas pretas possuem bandas de coloração alaranjada que atravessam as asas dianteiras e ocorrem na borda externa das asas traseiras. Possui manchas brancas na parte dorsal das asas dianteiras, e marcas avermelhadas em todas as asas. Esta coloração oferece-lhe camuflagem contra os seus predadores naturais, as aves, isto é, quando pousa em locais abertos ou zonas rochosas, ela fecha as asas e fica quase invisível devido à coloração variada na face inferior, em zonas com flores ela mantém as asas abertas de forma a confundir-se com a paisagem colorida. As lagartas possuem uma coloração entre o amarelo e o preto e espinhos ramificados que lhes fornecem protecção.

As fêmeas depositam os ovos em folhas de urtigas e passado uma semana eclode uma lagarta, estas criam um abrigo usando as folhas e onde permanecem e se alimentam, originando mais tarde a pupa. Os adultos emergem da pupa entre 2 a 3 semanas depois.

A lagarta alimenta-se principalmente de urtigas (Urtica spp.) e parietárias (Parietaria spp.), sendo bastante vorazes. Os adultos alimentam-se do néctar de flores, frutos maduros (já em fermentação) e seiva das árvores.

Os machos são bastante territoriais, patrulhando-os constantemente na esperança de encontrarem uma fêmea, se algum macho invadir o seu território é pronta e energeticamente repelido com recurso a diversos voos acrobáticos.

Este exemplar foi fotografado nas Berlengas.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Toirão, o belo Carnívoro

Toirão
European Polecat
Mustela putorius

É um pequeno carnívoro de hábitos discretos e distribuído por todo o continente, embora a sua situação populacional seja pouco conhecida.

Possui um corpo alongado e cilíndrico. A cabeça é pequena e achatada, possui orelhas pequenas e arredondadas, e as patas são curtas. É facilmente identificável devido à sua pelagem lisa, que é densa e sedosa, o dorso é castanho escuro, os flancos são claros, o ventre é negro e a cauda tem uma coloração escura, sendo tufada. Possui uma mancha branca ao redor da boca e queixo e também ao redor dos olhos e orelhas.

Existe por toda a Europa com excepção da Península Balcânica, nas ilhas mediterrânicas, Irlanda e Islândia. Ocorre por todo o território continental e a sua presença encontra-se descrita em quase todas as áreas protegidas, embora a população seja pouco abundante e a sua tendência populacional ser desconhecida. Existe falta de informação sobre a espécie e como tal possui o estatuto de insuficientemente conhecida. Prefere zonas húmidas, habitando áreas com a interface terra e agua, embora possa ocorrer em qualquer habitat que possua as suas presas. Escava o seu próprio abrigo, embora possa usar antigas tocas de coelho, raposa ou texugo, e também se pode refugiar em fendas entre rochas. As tocas têm pelo menos uma câmara de dormida e outra de armazenamento de alimento.

A sua dieta é carnívora, sendo um predador generalista, alimenta-se principalmente de roedores e lagomorfos (coelhos e lebres), mas também de pequenas aves, anfíbios e peixes. Quando captura mais presas do que as que necessita cria reservas de alimento. O cio e o acasalamento ocorre entre Março e Abril, os machos são poligâmicos e cobrem as fêmeas que os aceitem. Nascem entre 3 a 7 crias por altura de Abril e Junho, o desmame ocorre no final do primeiro mês e elas tornam-se independentes aos 3 meses.

São animais solitários com actividades nocturnas e crepusculares, chegando a deslocar-se 7,5km todas as noites. A alteração e destruição do habitat são os principais factores de ameaça, embora também o sejam os atropelamentos devido ao tráfego rodoviário, o controlo de predadores e a caça furtiva devido ao valor da sua pele.



São difíceis de observar no habitat natural devido à sua discrição. As pegadas medem entre 3 e 3,5 cm de comprimento e 2,4 a 4 cm de largura e surgem por vezes apenas 4 dos seus 5 dedos. Os seus dejectos possuem entre 6 e 8 cm de comprimento e menos de 1 cm de largura, possuindo um odor nauseabundo e sendo constituídos por pêlos, penas e ossos.

Dados das Fotografias:
- 1ª foto: F/5    1/80    ISO-400    220mm
- 2ª foto: F/4    1/80    ISO-400    70mm
- 3ª foto: F/5.6    1/100    ISO-400    300mm
- 4ª foto: F/5.6    1/100    ISO-400    300mm
- 5ª foto: F/5.6    1/40    ISO-400    300mm

F/5.6    1/200    ISO-400    200mm

 F/5.6 1/200 ISO-400 200mm


 F/5.6    1/160    ISO-400    200mm

F/5.6    1/160    ISO-400    200mm

Bibliografia:

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A Migradora Rola-do-Mar

Rola-do-Mar
Ruddy Turnstone
Arenaria interpres

Pequena limícola visitante de inverno, ela percorre longas distancias entre as zonas de reprodução e de invernada, ocorrendo ao longo em toda a costa.

Possui entre 21 e 24 cm de comprimento e entre 44 e 49 cm de envergadura. As patas são alaranjadas e o bico é preto, sendo ambos curtos. A sua plumagem característica permite uma fácil identificação, possuem manchas pretas na cabeça e uma banda preta no peito contrastando com a coloração branca da parte inferior do corpo e apresenta um padrão muito marcado no dorso e nas asas. A plumagem nupcial é bastante colorida.

Tem uma distribuição Holárctica, o seu local de nidificação é no Árctico, ou seja, é uma espécie migradora que inverna na orla costeira de todos os continentes. Em Portugal é um visitante não reprodutor, que se pode observar tanto de inverno como durante a passagem migratória. Tem preferência por plataformas rochosas onde existam algas a cobrir as rochas, por vezes é possível observar em zonas com sedimentos arenosos, estuários, lagoas costeiras e pontões.

A sua alimentação consiste em invertebrados, principalmente de crustáceos e moluscos. O método utilizado na procura e captura de alimento varia com o habitat, época e disponibilidade de alimento, por vezes vira pedras, algas e outros objectos para capturar presas escondidas. Pode também alimentar-se de ovos de outras aves aquáticas.

Pode ser observada ao longo da costa durante o ano todo, embora seja mais abundante durante os meses de Agosto a Maio.

Dados das fotografias:
- 1ª foto: Peniche    F/10    1/400    300mm    ISO-200
- 2ª foto: Peniche    F/10    1/500    300mm    ISO-200
- 3ª foto: Peniche    F/10    1/400    300mm    ISO-200
 
Bibliografia:

www.naturlink.pt

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Inteligente Golfinho-Roaz

Golfinho-Roaz ou Roaz-Corvineiro
Common Bottlenose Dolphin
Tursiops truncatus


Mamifero aquático altamente inteligente, sendo um dos melhores amigos do Homem no oceano e a quem se atribui o salvamento de muitas pessoas naufragadas, encontrando-as por vezes no meio dos destroços. É a espécie mais famosa e conhecida de golfinho, principalmente pelo seu papel desempenhado na famosa série de televisão “Flipper”, mas também pela sua distribuição mundial. Possui uma elevada capacidade de adaptação à vida em cativeiro o que facilitou o seu estudo e o tornou a espécie mais encontrada nos parques temáticos e jardins zoológicos. Comunicam uns com os outros através de silvos distintos, cliques e linguagem corporal.

Possui um aspecto robusto, uma coloração cinzento-castanho e o ventre de cor clara, o bico é curto e encontra-se bem demarcado, a barbatana dorsal é falciforme. Existem dois ecotipos, a forma costeira (mais clara e maior) e a forma oceânica. Os machos podem atingir os 3.9 m, enquanto as fêmeas chegam apenas aos 3.6 m. A época de reprodução varia consoante o hemisfério em que se encontram, Junho e Setembro no Norte e Dezembro e Março no Sul.

A gestação tem uma duração média de 12 meses, da qual nasce apenas uma cria de 2 em 2 ou de 3 em 3 anos. A cria “mama” entre 19 meses a 4 anos, o leite materno é rico em proteínas sendo lançado em esguicho para a boca da cria, que não possui lábio e não pode por isso mamar, durante este período a cria é treinada e fica ao cuidado de outros membros do grupo quando a progenitora vai caçar. A ligação entre a progenitora e a cria é tão forte que já se observou progenitoras a trazerem as suas crias mortas até à superfície para as ajudar a respirar.

Podem viver entre 12 e 40 anos, sendo que alguns indivíduos cheguem aos 50 anos. Vive em grupos familiares entre 10 e 25 indivíduos, tendo sido já registado um grupo com 500 indivíduos. Normalmente os golfinhos passam o seu tempo com os seus companheiros favoritos, as fêmeas e as crias pequenas nadam normalmente em conjunto, assim como os machos. Deslocam-se a uma velocidade média de 20km/h podendo atingir os 40km/h, conseguem mergulhar a uma profundidade de 300m e suster a respiração por 20 minutos, dormem cerca de 8h por dia.

Alimentam-se entre 8 a 15kg de lulas, camarão, enguias e pequenos peixes por dia, normalmente caçam em grupo, encurralando pequenos cardumes e capturando aqueles que se afastam do cardume principal. Sabem tirar proveito das actividades marítimas do Homem, acompanhando os barcos de pesca e capturando os peixes que fogem das redes enquanto as mesmas são puxadas para dentro do barco, e banqueteiam-se dos peixes que os pescadores devolvem ao mar.

Habitam águas tropicais, subtropicais e temperadas de todos os oceanos, tanto nas zonas costeiras como em alto mar, por vezes chegam a entrar em baias, estuários, lagoas, canais e em rios. Em Portugal podem ser observados ao longo da costa de Norte a Sul, e no estuário do Sado, onde existe uma população residente, de apenas três existentes em toda a Europa.

Dados das fotografias:
- 1ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/200    70mm    ISO-200
- 2ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/640    300mm    ISO-200
- 3ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/640    170mm    ISO-200

- 4ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/6,3    1/320    70mm    ISO-200
- 5ª foto: tirada ao largo de Peniche    F/8    1/160    70mm    ISO-200


sábado, 30 de outubro de 2010

Lagartixa-da-Berlenga, endémica das Berlengas

Lagartixa-da-Berlenga
Podarcis carbonelli berlengensis

Pequeno réptil endémico da ilha da Berlenga, embora possua um parente no continente. Contudo este parente é diferente da que pode ser encontrada na ilha.

Possui uma coloração castanha com um fino reticulado escuro no dorso e as linhas dorsolaterais são descontinuas, nos machos apresentam tonalidades verdes enquanto que nas fêmeas são verdes e amarelas. Os flancos são verdes com ocelos azuis nos machos e castanhos nas fêmeas. A zona do ventre nas fêmeas apresenta uma coloração creme, branco sujo ou amarela e nos machos essa coloração é branca com pintas pretas nos individuos de maiores dimensões.

A sua densidade é elevada e possui uma distribuição ampla. Em comparação com os seus parentes continentais ela apresenta um tamanho maior, o facto de se encontrar numa ilha e de ter que suportar temperaturas baixas e ventos fortes ela desenvolveu duas características relacionadas com uma maior capacidade de retenção de água e de calor, isto é, desenvolveu escamas dorsais maiores e um focinho mais arredondado.

A alimentação consiste em artrópodes e moluscos, os quais tem de competir com outros habitantes da ilha, como o sardão e as diversas aves que lá habitam.

Local onde se pode observar
- Ilha da Berlenga

Dados das fotografias:
- 1ª foto: F/13 1/160 ISO-200 300mm+tubos Kenko (36+24+12)
- 2ª foto: F/13 1/200 ISO-200 300mm+tubos Kenko (36+24+12)

Bibliografia
- Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Almeida, F.F. (2001) Guia FAPAS Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS. Porto. 249pp

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Ganso-Patola, o Mergulhador Brilhante

Ganso-Patola ou Alcatraz
Northern Gannet
Morus bassanus

Ordem: Ciconiiformes
Família: Sulidae

Os juvenis possuem uma coloração castanha pintalgada durante o primeiro ano, e vão ficando gradualmente mais claros até atingirem a maturidade ao fim de cinco anos. Os adultos medem entre 87-100 cm de comprimento e tem uma envergadura entre 165-180 cm. Possuem uma plumagem branca com a ponta das asas negras, o seu bico e os seus olhos são de coloração azul-clara, e os olhos encontram-se circundados por pele negra. Possuem os quatro dedos unidos por uma membrana interdigital. Durante a época de reprodução, tanto a cabeça como o pescoço ficam com tons amarelados.

Nidificam em penhascos sobre o oceano Atlântico Norte ou em ilhas rochosas, formando grandes colónias, a maior delas possui mais de 60.000 indivíduos (ilha Bonaventure, em Quebec), mais de metade da população mundial reproduz-se ao largo da costa da Grã-Bretanha. Os casais podem permanecer juntos por muitos anos, e realizam rituais de saudação nos ninhos.

São aves migratórias e durante o Outono viajam para o sul do Atlântico, podendo ser observados em Portugal. Voam em formação linear de dois a algumas dezenas de indivíduos. É abundante ao longo de toda a costa portuguesa, sendo facilmente detectado a partir de terra. As melhores épocas de observação são os picos de passagem migratória em Outubro e Março, mas ocorre durante todo o ano. É uma das aves marinhas mais comuns e também uma das que se pode observar em todo o litoral português.

Comem pequenos peixes agrupados em cardumes à superfície e para isso realizam mergulhos espectaculares a alta velocidade, podendo atingir os 40 metros de profundidade, entrando na água como um míssil e com grande impacto. São voadores poderosos e ágeis, mas muito desajeitados durante as descolagens e aterragens.

Locais onde se podem observar
- Douro e Minho: frente à foz do Cávado e litoral de Esposende e frente ao estuário do Douro.
- Litoral Centro: cabo Carvoeiro, Berlengas, praia do Furadouro, cabo Mondego e Barra de Aveiro.
- Lisboa e Vale do Tejo: cabo Raso e cabo Espichel.
- Costa Vicentina: cabo Sardão e cabo de Sines.
- Algarve: cabo de São Vicente, ponta da Piedade, cabo de Santa Maria (ria Formosa) e ponta da Atalaia-Aljezur.

Dados das fotografias:
- 1ª foto: juvenil   F/6.3   1/500   ISO-200   190mm
- 2ª foto: primeiro inverno   F/9   1/800   ISO-200   225mm
- 3ª foto: segundo inverno   F/8   1/800   ISO-200   210mm

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Barragem do Vale Cobrão

A barragem do vale Cobrão situa-se na recta da Nacional 119 a 11km do IC3, sendo de fácil acesso, embora as margens da barragem se encontrem vedadas e de acesso cortado. No dia da minha visita havia pouca água e a que havia encontrava-se num estado lastimável, mas por minha sorte existiam bastantes insectos interessantes para fotografar.



O primeiro avistamento foi de uma libélula que se encontrava a voar no caminho que percorríamos, era uma fêmea de Sympetrum fonscolombii (Red-veined darter), esta libélula é comum no sul da Europa e desde 1990 que tem sido também encontrada a norte da Europa. É semelhante a outras espécies do género Sympetrum mas uma observação mais detalhada permite observar várias diferenças, especialmente nos machos. Os machos (foto de baixo) possuem o abdómen vermelho, as asas possuem nervuras vermelhas, a parte inferior do olho é azulada/acinzentada. As fêmeas (foto em cima) são semelhantes aos machos mas possuem o abdómen amarelado e as asas possuem nervuras amarelas. As patas em ambos os sexos são maioritariamente pretas, mas com algum amarelo.
Os machos imaturos são idênticos às fêmeas embora um pouco mais vermelhos. É a única libélula encontrada nos Açores e na Madeira. É uma espécie territorial e é possível observá-la a voar entre Maio e Outubro. Depois da cópula o par permanece ligado até à postura dos ovos onde a fêmea coloca o seu abdómen na água para a deposição dos ovos, podem ser observados a voar sobre a água à procura de um local para depositar os ovos. Os ovos e as larvas desenvolvem-se rapidamente e ao contrário das outras libélulas europeias tem mais do que uma geração por ano.

Num dos charcos com água temporária avistei demasiados lagostins vermelhos (Procambarus clarkii), esta espécie é proveniente do estado do Louisiana nos Estados Unidos da América. É uma espécie invasora em Portugal e foi introduzido em 1973 na zona de Badajoz para abastecimento da linha alimentar, passaram para um afluente do Guadiana em 1979 e devido ao seu enorme poder de reprodução e de sobrevivência, espalharam-se rapidamente por toda a Península Ibérica. Este crustáceo de água doce, dependendo de onde habita, do estágio de crescimento em que se encontra, da alimentação, entre outros, é capaz de mudar de coloração. Pode viver até aos dois anos e chegar a medir cerca de 15cm. São geralmente calmos e encontram-se quase sempre escondidos. Tal como todos os artrópodes sofrem várias mudas de carapaça enquanto crescem. As lontras e outras aves alimentam-se desta espécie, tornando-se numa fonte de alimento importante para as lontras. Neste local pude observar varias pegadas e vários dejectos de lontra, assim como pedaços de lagostim que elas não gostam.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Exemplo de uma ave exótica em Portugal

Tecelão de Cabeça Preta
O tecelão-de-cabeça-preta (Ploceus melanocephalus) é uma espécie exótica que se encontra no nosso país devido a fugas acidentais, e que se estabeleceram na zona da Barroca d’Alva. Em Portugal esta espécie é observada sempre junto a zonas húmidas, tendo preferência por zonas com caniços. A sua área de distribuição original vai desde a África do Sul até ao Sara e desde o sul da Mauritânia até ao nordeste do Sudão. (foto de cima: macho)

Os machos são polígamos e constroem vários ninhos (foto de baixo) para atrair diversas fêmeas (foto direita), os ninhos têm uma forma arredondada e são construídos grosseiramente com diversas fibras vegetais. São construídos colonialmente e os ninhos não aceites por nenhuma fêmea são destruídos, os que são utilizados possuem um forro interno de penas e outros materiais isolantes.


Pancas

A reserva natural do estuário do Tejo possui uma grande riqueza avifaunística, e é considerada uma das dez zonas húmidas mais importantes para o estacionamento das aves aquáticas migradoras, sendo um local excelente para fotografar e proporcionar momentos inesquecíveis. A zona de Pancas situa-se nos limites da zona de protecção especial que complementa a reserva natural, sendo uma zona de montado para gado. Na foto em cima pode-se observar um juvenil de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) que se encontrava à beira da estrada e pouco ou nada se assustou. Quando o vi aproximei-me o mais possível (de carro) até ao ponto em que ele estava pronto a fugir, desliguei o carro e fotografei-o. Liguei novamente o carro e fui-me aproximando devagar de forma a não fugir, até que fiquei a pouco mais de 3 metros dele e tive oportunidade de tirar um conjunto de fotografias, ele não parecia estar muito assustado e quase não cabia no ecrã da máquina, fiquei a observá-lo por uns minutos e quando voltei a ligar o carro ele fugiu pelo meio da vegetação.

Contudo existe uma ave muito assustadiça e que tem o hábito de se juntar às vacas enquanto estas pastam para se alimentar, sobretudo de pequenos insectos que ficam expostos nas pegadas das vacas, as garças-boeiras ou carraceiro (Bubulcus ibis) possuem um bico curto e amarelo e na época de reprodução as penas ficam alaranjadas o que as distingue das outras garças. Estas fogem imediatamente assim que um carro abranda ou para, o que torna bastante difícil conseguir tirar uma boa foto quando se é o condutor e fotografo ao mesmo tempo. Então para conseguir a foto à direita tive de engendrar um plano para elas não fugirem imediatamente, então deixei o carro a andar sozinho e fui fotografando até elas decidirem levantar voo até um local mais longe.

Devido aos inúmeros terrenos agrícolas e às grandes zonas de pastagem, a zona é excelente para as aves de rapina caçarem as suas presas. Na foto à esquerda pode-se observar uma águia de asa redonda (Buteo buteo), espécie relativamente comum em Portugal e que caça desde aves até insectos. Possuem uma visão extremamente apurada, conseguindo ver um rato a quilómetros de distância e a aproximação deve por isso ser cuidadosa. Elas possuem vários poisos preferidos de onde podem observar toda ou quase toda a extensão do seu território, e de onde partem para caçar. Esta permaneceu entre dois locais enquanto eu a fotografava e permitiu-me aproximar bastante. Na zona é possível observar também diversos peneireiros, mas estes permaneceram sempre longe neste dia de muito calor.

domingo, 1 de agosto de 2010

Grutas e nascentes do Vale Canhão do rio Ota e de Alenquer

A ciência viva no Verão realiza saídas gratuitas desde o verão de 2002, e desde então que tenho feito todos os anos diversas saídas com especialistas de várias áreas de Biologia e Geologia. Esta saída, inserida na geologia no verão, ás grutas e nascentes do vale canhão do Rio Ota e de Alenquer foi realizada por elementos da SPE, isto é, Sociedade Portuguesa de Espeleologia e foi possível observar diversos locais de importância geológica.

A foto de cima é possível observar uma cascalheira no vale canhão do rio Ota, por onde foi feito parte do percurso. Foi possível observar e entrar numa pequena lapa que se encontra ao longo das margens do rio, nomeadamente um pouco mais acima. O rio Ota não possui água durante o verão, o que facilita o percurso. Nesta gruta encontrámos duas traças com cerca de 10cm e que possuíam a parte inferior das asas de cor avermelhada, mas que ainda não sei o nome. (foto da direita)

Numa zona mais a jusante ainda existia água e decidi procurar algumas rãs, embora o elevado número de vespas tenha dificultado a tarefa. Depois de alguns minutos a caminhar no meio da água e lodo, por fim encontrei duas pequenas rãs verdes e tirei a foto em baixo. Uma das vespas ia poisando em cima da rã e consegui captar esse magnifico momento, embora tenha já sido quando a vespa estava a ir-se embora.

sábado, 26 de junho de 2010

Fauna Ibérica entre as Exóticas


No ano da biodiversidade, os jardins zoológicos possuem um papel fundamental na conservação e preservação de determinadas espécies. O nosso jardim zoológico encontra-se mais vocacionado para protecção de espécies de mamíferos e aves (com um total de 271 espécies diferentes e cerca de 3000 exemplares) e tem vindo a modernizar e melhorar os habitats destas. Estes melhoramentos fazem-nos esquecer o antigo jardim zoológico cheio de jaulas e grades, onde os animais pareciam tristes e com pouco espaço, e proporcionam ao visitante um passeio mais agradável no centro de Lisboa onde pode observar os animais num meio mais natural, com mais espaço e mais felizes.
No entanto, para além destas espécies de aves e mamíferos, o zoo possui também 56 espécies de répteis e 5 de anfíbios e artrópodes, que se encontram principalmente no reptilário e onde os visitantes podem observar de forma segura, mas é possível encontrar outras espécies de répteis e anfíbios espalhados pelo jardim zoológico, nomeadamente, algumas espécies endémicas de Portugal e que merecem também uma atenção por parte do zoo e do visitante, embora elas passem completamente despercebidas no meio de tantos animais exóticos e novos. Na imagem de cima é possível observar duas Rãs Verdes (Rana perezi) num dos lagos artificiais que circundam os habitats dos pequenos primatas, elas encontraram um local perfeito para habitar e já observei cerca de uma dezena de rãs naqueles lagos, podendo ser ainda mais. É possível observá-las e ouvi-las a emitirem os seus sons característicos, visto elas manterem-se imóveis durante bastante tempo o que permite observá-las tranquilamente, e não fogem imediatamente ao avistarem as pessoas. Visto existirem visitantes e funcionários constantemente, elas encontram-se habituadas à presença humana e permitem aproximar até uma distância boa para fotografar.

Também é possível observar algumas espécies de lagartixas, como a da imagem, uma lagartixa-ibérica (Podarcis hispanica). Elas encontram-se um pouco por todo o lado, desde ao pé das casas como a passear pelos caminhos. A sua alimentação consiste em pequenos insectos e são por isso boas a controlar as pragas de insectos que por vezes podem ocorrer. Para as observar é necessário manter o silêncio e a aproximação deve ser feita com cuidado, aproveitando os momentos em que ela olha para outro lado para dar mais um passo (tal como os felinos fazem quando perseguem as suas presas). Quando a distância for perfeita para fotografar, é só rezar para que não apareça ninguém entretanto que possa estragar a fotografia. Por isso, quando forem ao jardim zoológico não procurem observar apenas os animais exóticos mas também aqueles que pertencem à nossa fauna e que nos cabe a nós proteger.

..Novas Crias..

Nas três últimas visitas que realizei ao Jardim Zoológico de Lisboa tive oportunidade de fotografar e observar o casal de Linces Euroasiáticos (Lynx lynx) que lá existem. Este Linces tiveram duas ninhadas nos dois primeiros anos da sua estadia no zoo, mas durante um ano não se reproduziram. Como tive oportunidade para observá-los nestes dois anos que tiveram crias, pude constatar que não ocorreram motivos ou mudanças para não continuarem a reproduzir-se, ou seja, algo se deve ter passado ou mudado para eles não se reproduzirem-se. Mas não existiam mudanças no habitat e as outras mudanças possíveis eram na alimentação, a qual era difícil eu ter conhecimento (não conseguir falar com os tratadores). Durante um ano quase não fotografei os linces e eles foram passando cada vez mais despercebidos, visto passarem os dias a dormir quase sempre num local difícil de fotografar e devido a isso, eu apenas passava para observar se existiam novos comportamentos (locais de dormir) ou novas crias. E qual foi o meu espanto quando no outro dia ao fazer uma passagem apenas para observar, verifiquei que existiam duas novas crias muito pequeninas.

O espaço entre as minhas visitas foi de apenas uma semana, e verifiquei que eles estavam mais agitados, e que inclusive não passavam o dia a dormir. Voltei então a fotografar os magníficos linces um ano depois, e quando pensava que eles iriam voltar a passar despercebidos eis que duas crias surgiram e como todos sabem, as brincadeiras são o seu jogo favorito, especialmente num local onde não existem predadores.

Irei continuar a colocar fotos e a escrever sobre a evolução destas crias, visto que são a terceira ninhada deste casal, e que normalmente apenas sobrevive uma das crias, não sei qual é o motivo, mas é o que tenho observado. Espero que este ano seja diferente, e que as duas criam atinjam a fase adulta e possam ser trocadas ou levadas para outros zoos para que o programa de conservação continue e possa continuar a proteger esta espécie de Linces (Lynx lynx).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Carrasqueira

Na Reserva Natural do Estuário do Sado é possível encontrar uma obra-prima única da Europa, o impressionante cais palafitico da Carrasqueira. Construído na década de 1950 usando estacas de madeira irregular e frágil que serve de embarcadouro aos barcos de pesca, este porto estende-se ao longo de centenas de metros pelas margens lamacentas do rio Sado. Este magnífico local parece de um postal, e por momentos imaginamo-nos a viajar por outro país, sem nunca sair de Portugal.

Um passeio fotográfico que a chuva teimava estragar, mas acabou por ser perfeito. A chuva não parava de cair no caminho até ao porto, localizado na comporta, mas à chegava havia abrandado e finalmente cessado, mas as nuvens permaneciam a encobrir o sol, mas as máquinas fotográficas já começavam a disparar.
A foto em cima foi uma das primeiras que tirei, ainda estava cheio de lama do caminho até lá e as madeiras ainda se encontravam molhadas, mas como “bom” fotografo que sou, deitei-me no chão para obter o melhor ângulo possível. Ao lado é possível ver a minha bonita figura.
Nesta outra foto o “chão” já estava demasiado longe para me esticar e fotografar, então usei um pequeno truque para conseguir a foto com o ângulo que pretendia. Para isso, coloquei a máquina fotográfica no tripé e segurando pelas pernas baixei-o o mais possível, e usando um cabo disparador foi-me possível obter este resultado.
Quando as nuvens deram tréguas e o sol finalmente brilhou, fomos brindados com um lindo céu que ninguém resistiu a não fotografar. Durante todo o percurso tivemos a companhia deste cão que diz a todos, “até uma próxima” =)

domingo, 11 de abril de 2010

Flowers


A fotografia de flores é sempre um desafio, ora porque está muito sol ou é o vento que teima a levantar-se no momento em que vamos a dar o click na máquina. Daí que seja preciso alguma paciência e observação, estas flores apresentadas em cima são muito pequenas e a maior dificuldade foi ficar ao mesmo nível que elas, ou seja, toca de me sujar e deitar-me no chão para conseguir este plano, a outra dificuldade foi obter um apoio estável, visto que a objectiva é ligeiramente grande e com o acrescento dos tubos (para poder realizar estes macros) o peso já é considerável, e para piorar (ou melhorar) o foco têm de ser feito manualmente, assim como a abertura e velocidade de disparo. Concluindo, para além de estar deitado no chão tinha que estabilizar bem a máquina e ainda observar e controlar a abertura e velocidade da máquina, como o hábito faz o monge, o controlo manual da máquina já é algo fácil e rápido para mim (tudo devido ao treino e experiências).

O dente de leão é uma flor muito observada na primavera, é possivel encontrá-la nos nossos jardins, a crescer entre a relva, etc... O seu formato é muito interessante, mas a sua fotografia é dificil porque temos de ter atenção para não sobre-expor e obter uma foto em que a zona "amarela" fica demasiado brilhante, o que estraga a foto. Gostava de ter apanhado outro plano, mas por azar o local onde ela estava não me permitia deitar-me no chão (demasiadas silvas) e por isso tirei uma foto normal para ver como saia.


Esta é um pequeno mistério, se alguém souber o que é. Fácil de avistar, perigosa de "fotografar", mas dá sempre origem a fotografias engraçadas e picantes.

Fotos tiradas na Mitrena, Setúbal